Coluna IRanimA

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segunda-feira, novembro 20, 2006


Tenho uma folha em branco, uma imaginação em branco, uma obrigação em branco. Mente vazia, eco de uma inspiração que nem transpirada chega a preencher o papel.
Pouso a caneta, olho a vidraça, passo a vista pelo que rodeia. Mesas, relva, árvores, vizinha, verde, cadeira, luz, rua, sol, céu, gelado, caneta, folhas, papel em branco…
Fecho os olhos e num esgar de velocidade desesperada procuro na minha biblioteca mental um tema, um título, uma história, uma ideia…. Onde está o índice (interrogo-me). Encontro-o e deslizo o indicador pelas letras por ordem alfabética….
Nada!
Abro um livro, outro e mais outro e branco! Numa fúria desmesurada, e depois de ter atirado da estante todas as encadernações, dossiers, e folhas soltas, deixo-me cair no chão da minha mente e até a confusão gera infertilidade de ideias!
Choro. Cada lágrima que percorre a minha face é também vazia de sentido, de cor, de pensamento…A dor do nada sufoca-me!
Abro os olhos…fito a vidraça e depois volto a fixar a folha. Vejo um pequeno desenho que foi formado pelas lágrimas outrora vazias de cor e de ideias… Concentro-me e vejo aparecer no meio daquele branco imenso um branco molhado, incerto, tremido…Tenho uma folha de branco húmido, uma imaginação inundada, uma mente a transbordar e uma inspiração que de tão cheia que está escorre do olhar até às páginas em que me defino. Nada como a dor para preencher o papel!

5 Comments:

Blogger Pensador said...

Para quem afirma ter "uma imaginação em branco",...
Para quem diz que o índice mental da sua biblioteca está vazio,...
Para quem se define como dona de uma "infertilidade de ideias"...

...até que és dona de umas lágrimas que estão repletas de imaginação, que têm um conteúdo que enche até um índice terapêutico e, em termos criativos, que transbordam de fertilidade! Gostei imenso!

Daniel Campos

5:01 da tarde  
Blogger Unknown said...

Assim repentinamente consigo perfeitamente saber aquilo que te ia no pensamento na altura. Tudo o que se escreve tem uma ponta da realidade, a não ser que se escreva inconscientemente, que não é o teu caso.

8:31 da tarde  
Blogger Roxanne W. said...

obrigada daniel...mas a verdade é que este texto nasceu de uma página em branco que não sabia ser preenchida... como quando não há nada para dizer falamos de nada, quando não ha nada para escrever escrevemos sobre na! ;)
Rox

10:39 da manhã  
Blogger Paz Kardo said...

Gostei imenso. Uma página em branco que se preenche no fim de uma forma tão rica em palavras e sentimentos.

5:04 da tarde  
Blogger margusta said...

Em branco só estava de certeza a folha no ínicio...porque depois ficou ficou muito bem preenchida com este teu belo texto.
Gostei imenso!

"A dor do nada sufoca-me!" ..esta expressão sentia-a como se minha fosse...

12:50 da manhã  

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